right_side

Jornalista só com diploma

Em 1964, há 45 anos, na madrugada de 1º de abril, um golpe militar depôs o presidente João Goulart e instaurou uma ditadura de 21 anos no Brasil. Naquela época, todos os setores, inclusive o Jornalismo, e liberdades democráticas foram atingidas e sofreram por mais de duas décadas.

Em 2009, a sociedade brasileira pode estar diante de um novo golpe, mais direcionado que então. Desta vez, especificamente contra o seu direito de receber informação qualificada, apurada por profissionais capacitados a exercer o Jornalismo, com formação teórica, técnica e ética.
In:

Ética em assessoria de imprensa


O assessor de imprensa tem compromisso com seu cliente, estabelece relações com os meios de comunicação, divulga as ações do assessorado que sejam de interesse público e funciona para a imprensa como fonte segura. No Brasil a função de assessor geralmente é tarefa de um jornalista ou relações públicas, uma briga antiga para saber quem realmente é o titular do cargo. No caso de assessor jornalista, o compromisso com a ética jornalística vem antes do compromisso firmado com o cliente.

O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros determina que o profissional não pode exercer cobertura jornalística pelo órgão em que trabalha, em instituições públicas e privadas onde seja funcionário, assessor ou empregado. Por exemplo, um jornalista que assessora o governo não pode realizar cobertura política, é antiético. Dá-se a impressão de que a visão jornalística não vai primar pela isenção, uma vez que tal prática possa prejudicar o profissional, tanto na função de assessor como no órgão de imprensa.

A assessoria de imprensa é vista como o segundo emprego do jornalista, infelizmente, o mercado acaba empurrando o profissional para o cargo de assessor, já que alguns jornais oferecem remuneração demasiadamente baixa, levando o jornalista a migrar para a área de assessoria, onde geralmente são oferecidos os melhores salários. Para evitar que isso aconteça alguns jornais adotam a regra da exclusividade, nenhum outro tipo de vínculo empregatício pode ser estabelecido com uma segunda empresa enquanto o jornalista estiver empregado pelo jornal. Uma maneira de preservar a idoneidade da linha editorial.

Infelizmente a função de assessor pode ser encarada como a de um criador de boas imagens, uma visão errônea. Cabe ao assessor apenas divulgar a verdade em relação ao assessorado, e o que for de interesse público. O assessor não é publicitário, não vende e nem cria um status. Esta visão errada é um dos fatores que podem comprometer a ética do profissional, em busca de “assessores-publicitários”, oferecendo bons lucros, algumas empresas conseguem corromper o assessor.

Preocupados em zelar pela ética jornalística, alguns teóricos defendem a criação de códigos diferenciados para cada função, um para jornalista e outro para assessor de imprensa, podendo assim fugir de ambigüidades tendo um sólido ponto de referência sobre o que é ou não correto dentro das duas profissões, separando tudo com uma linha menos tênue. Com apenas um código de ética para o jornalista que trabalha em um veículo de informação e em assessoria de imprensa algumas leis podem entrar em conflito, gerando dúvidas e discussões, e o que é pior, comprometendo a ética do profissional.

Em alguns países, como Portugal, o código do jornalista proíbe a prática da assessoria de imprensa por este profissional. No Brasil um ponto que pode desfavorecer a ética do jornalista é o desconhecimento do código. Muitos não fazem questão de conhecer, outros simplesmente ignoram.

Para reivindicar direitos é preciso conhecê-los. O jornalista que desempenha a tarefa de assessor tem o dever de conhecer muito bem a legislação para não tropeçar em equívocos que podem valer sua boa índole profissional. Trabalhando corretamente, respeitando as leis que regem sua profissão o jornalista consegue atuar dentro das duas áreas, comprometido com a verdade e com a ética.

In:

Radiojornalismo


O velho jornalismo de rádio vem perdendo seu espaço a cada dia para o entretenimento. Os estúdios possuem qualidade de som e equipamentos de última geração, mas não dão grande ênfase para os programas de notícia. Existe sim um radiojornalismo regional de qualidade, o que está difícil de encontrar é espaço para que ele seja difundido.

Rádio é música, muitos devem pensar desta maneira. Por isso, diretores das emissoras de todo o País, e também de Mato Grosso do Sul, estão pendendo demasiadamente para o lado do divertimento. Oferecem, então, para os ouvintes, uma programação muito mais preocupada em entreter do que informar. A maioria das rádios somente atendem às exigências da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que destina uma pequena porcentagem da grade das emissoras de rádio para o jornalismo.

Mas este problema não é mérito apenas das rádios daqui do MS. De acordo com o jornalista Pio Lopes, da FM UCDB, as emissoras das grandes capitais estão muito mais musicais do que informativas, é no interior que a notícia tem espaço. “Dourados, por exemplo, tem um jornalismo forte, aqui em Campo Grande apenas a FM Capital tem um programa diário de notícias” afirma. Pio Lopes diz ainda que a concorrência com os jornais on-line fez diminuir ainda mais o espaço do radiojornalismo, por causa do imediatismo que ambos proporcionam.

O jornalista Silvio Ferreira, da FM Mega 94, discorda. Segundo ele, não há uma concorrência, o que existe é aquela ânsia de jornalista de dar a notícia primeiro, e o público é diferenciado. O rádio é um veículo muito mais popular que a internet. Outro diferencial é o efeito provocado pela informação nos dois meios. “A notícia falada tem um impacto muito maior. Quando chega uma informação de última hora nós podemos interromper a música e dar a notícia”, comenta o jornalista, que entra no ar de hora em hora no boletim informativo Notícias da Hora.

Silvio Ferreira ainda explica que o jornalismo na Mega 94 deve ter uma linguagem menos formal por causa do público da emissora, que é formado essencialmente por jovens. Isso pede uma maneira mais simples de informar. Mas isso não o isenta de fazer um jornalismo responsável. Antes de dar a notícia é necessário que se apure muito bem os fatos, afinal este é o dever de um jornalista, independente do veículo em que trabalha, seja líder ou não, seja rádio, TV ou impresso. Sempre deve prevalecer o jornalismo responsável.

A qualidade é mérito dos que conseguem fazer das tripas coração. Com um espaço pequeno, o jornalismo de rádio vem galgando seu lugar ao sol. Mesmo rodeado de novas mídias ele consegue sobreviver, ainda que ameaçado pelo entreter sem limites das emissoras que não enxergam o potencial da notícia.

In:

Jornalistas que copiam e colam

foto: wikimedia


Copiar e colar, infelizmente é uma ação que virou rotina para muitos jornalistas espalhados pelas redações de diversos veículos. Formados para pensar e escrever textos autorais, alguns profissionais agora têm como única função digitar as teclas Ctrl+c e Ctrl+v do teclado, o que até seria aceitável se fossem casos isolados muito raros de se encontrar, mas principalmente se fossem dados os devidos créditos para os verdadeiros autores das matérias jornalísticas. A reprodução sem a citação da fonte configura como plágio, e, portanto, crime.

Ferindo os conceitos éticos e seguindo na contra-mão da legislação que rege o jornalismo, veículos como sites e jornais impressos acabam publicando matérias produzidas por outros jornalistas, de outros veículos, e não citam a fonte. Há casos de publicações de releases, que são mais freqüentes, onde os textos são reproduzidos na íntegra e o outro jornalista - aquele que teve o “grande” trabalho de copiar e colar a informação - ainda assina como autor. Preguiça de produzir talvez seja a principal causa deste mal, mas fato é que este tipo de ocorrência diminui a seriedade de como deve ser vista a atividade jornalística.

Órgãos de informação sobrevivem desta prática de reprodução sem a permissão do autor. Empresários abrem sites de notícias alimentados por releases e cópias de matérias de outros meios. Jornais fecham páginas com publicações de textos de outros jornalistas, que não ganham salário ou participação nos lucros provenientes da venda de suas matérias. Há casos onde os textos não são reproduzidos na íntegra, mas partes dele, parágrafos, pode acontecer de ser mudado apenas o lead ou mesmo uma simples adequação ao manual de redação de cada órgão, o que não torna menos evidente a prática do plágio sem precedentes. O autor tem direito sobre sua obra, além dele apenas o veículo para o qual trabalha, o que teoricamente impediria a reprodução, mas não é o que ocorre na prática.

O crime de plágio é penalizado com detenção que pode ir de três meses a um ano ou multa por apropriação indevida de texto, além de tornar ainda mais frágil a credibilidade dos jornalistas que cultivam este mal hábito. O plágio não é “privilégio” apenas de jornalistas, principalmente estudantes praticam este crime ainda na academia, na confecção de trabalhos, o que incentiva o uso contínuo na vida profissional. Porém o plágio cometido por jornalistas torna-se ainda mais grave porque são profissionais preparados para produzir textos próprios.

A penalização para o crime de plágio mostra-se extremamente necessária, para isso a fiscalização e atuação dos conselhos de jornalistas deve ser mais presente entre os profissionais. Muitos não reclamam por terem textos copiados por outros veículos, isso fomenta a prática e demonstra falta de interesse dos profissionais da notícia de verem validados os seus direitos. A falta de conhecimento acerca da legislação é outro problema a ser combatido neste sentido, afinal aquele que informa é o que mais deve colher informações, principalmente quando se trata de direitos próprios. A academia, comprovadamente o berço do hábito ctrl+c ctrl+v, é onde a penalização deve ser mais rígida. Aprendendo certo erros serão menos freqüentes. A ética deve prevalecer sobre “espertinhos e preguiçosos” que sujam o nome da profissão. Jornalista não pode ser criminoso.

In:

Sobre jornalismo
















Para se fazer bem alguma coisa é preciso gostar do que faz, antes de escolher uma carreira as pessoas costumam pensar e pensar... no meu caso acho que foi um impulso pensado, estranho, mas é assim.


Como você vê o jornalismo? Como uma utilidade pública? Como uma profissão para boêmios ou uma atividade sisuda para pessoas quadradas? Eu vejo como a minha vida, a minha profissão, o que eu resolvi escolher para fazer, assim... num espasmo momentâneo de “impulso pensado”.

A arte de escrever, a redação, as incessantes e longas - e também prazerosas - horas de leitura. A pirâmide invertida, o lead, o dead line, o texto literário, as passagens, as pesquisas, os off’s, as pautas. Tudo isso agora faz parte da minha vida. Aprendi, aprendo e ainda vou aprender muita coisa. Mas o mais importante é a lição que temos todos os dias nas aulas e nos laboratórios: lidamos com pessoas e suas histórias, somos ouvintes e reprodutores de cada narrativa, abrimos as aspas dos pensamentos e pontuamos cada linha preenchida com opiniões diversas. Afinal, é nosso dever ouvir todos os lados, mas também é importante emitir o nosso ponto de vista.

Imparcialidade é um dever, passividade é burrice. Não somos treinados para sentar e transcrever o que nos foi dito. Aprendemos a apurar, ouvir, entender, explicar e tornar público - numa forma mais funcional de ver as coisas. Mas também sabemos ser complexos, saber um pouco de cada coisa é nossa obrigação.

Soa um tanto ambicioso demais querer escrever o que é o jornalismo de verdade, nem sei nada sobre o assunto, sei o que devo saber e também o que devo aprender, e uma noção de que desconheço o que devo conhecer, cabe agora correr atrás, conhecer o desconhecido e descobrir o mais desconhecido ainda.

Sou de uma turma que se aproxima do fim do começo, já é o último ano, findará uma época de aprendizado e começará outra. É assim que a vida segue, feita de etapas. O mercado nos espera, o mundo real está logo ali, sem intervalo no chafariz, sem sonecas no meio das aulas, sem brincadeiras insanas e seções de fotos que começam do nada.

O tempo corre, aproveitemos enquanto dura, vamos treinando para ser grandes profissionais e pessoas de caráter. Conhecimento nunca é demais, aumentam os centímetros das nossas mentes, fechando uma diagramação perfeita com títulos inteligentes. As amizades feitas não desaparecem, o tempo pode até distanciar, mas uma história já foi escrita e o texto não foi editado, está tudo na íntegra.