O velho jornalismo de rádio vem perdendo seu espaço a cada dia para o entretenimento. Os estúdios possuem qualidade de som e equipamentos de última geração, mas não dão grande ênfase para os programas de notícia. Existe sim um radiojornalismo regional de qualidade, o que está difícil de encontrar é espaço para que ele seja difundido.

Rádio é música, muitos devem pensar desta maneira. Por isso, diretores das emissoras de todo o País, e também de Mato Grosso do Sul, estão pendendo demasiadamente para o lado do divertimento. Oferecem, então, para os ouvintes, uma programação muito mais preocupada em entreter do que informar. A maioria das rádios somente atendem às exigências da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que destina uma pequena porcentagem da grade das emissoras de rádio para o jornalismo.

Mas este problema não é mérito apenas das rádios daqui do MS. De acordo com o jornalista Pio Lopes, da FM UCDB, as emissoras das grandes capitais estão muito mais musicais do que informativas, é no interior que a notícia tem espaço. “Dourados, por exemplo, tem um jornalismo forte, aqui em Campo Grande apenas a FM Capital tem um programa diário de notícias” afirma. Pio Lopes diz ainda que a concorrência com os jornais on-line fez diminuir ainda mais o espaço do radiojornalismo, por causa do imediatismo que ambos proporcionam.

O jornalista Silvio Ferreira, da FM Mega 94, discorda. Segundo ele, não há uma concorrência, o que existe é aquela ânsia de jornalista de dar a notícia primeiro, e o público é diferenciado. O rádio é um veículo muito mais popular que a internet. Outro diferencial é o efeito provocado pela informação nos dois meios. “A notícia falada tem um impacto muito maior. Quando chega uma informação de última hora nós podemos interromper a música e dar a notícia”, comenta o jornalista, que entra no ar de hora em hora no boletim informativo Notícias da Hora.

Silvio Ferreira ainda explica que o jornalismo na Mega 94 deve ter uma linguagem menos formal por causa do público da emissora, que é formado essencialmente por jovens. Isso pede uma maneira mais simples de informar. Mas isso não o isenta de fazer um jornalismo responsável. Antes de dar a notícia é necessário que se apure muito bem os fatos, afinal este é o dever de um jornalista, independente do veículo em que trabalha, seja líder ou não, seja rádio, TV ou impresso. Sempre deve prevalecer o jornalismo responsável.

A qualidade é mérito dos que conseguem fazer das tripas coração. Com um espaço pequeno, o jornalismo de rádio vem galgando seu lugar ao sol. Mesmo rodeado de novas mídias ele consegue sobreviver, ainda que ameaçado pelo entreter sem limites das emissoras que não enxergam o potencial da notícia.