foto: wikimedia


Copiar e colar, infelizmente é uma ação que virou rotina para muitos jornalistas espalhados pelas redações de diversos veículos. Formados para pensar e escrever textos autorais, alguns profissionais agora têm como única função digitar as teclas Ctrl+c e Ctrl+v do teclado, o que até seria aceitável se fossem casos isolados muito raros de se encontrar, mas principalmente se fossem dados os devidos créditos para os verdadeiros autores das matérias jornalísticas. A reprodução sem a citação da fonte configura como plágio, e, portanto, crime.

Ferindo os conceitos éticos e seguindo na contra-mão da legislação que rege o jornalismo, veículos como sites e jornais impressos acabam publicando matérias produzidas por outros jornalistas, de outros veículos, e não citam a fonte. Há casos de publicações de releases, que são mais freqüentes, onde os textos são reproduzidos na íntegra e o outro jornalista - aquele que teve o “grande” trabalho de copiar e colar a informação - ainda assina como autor. Preguiça de produzir talvez seja a principal causa deste mal, mas fato é que este tipo de ocorrência diminui a seriedade de como deve ser vista a atividade jornalística.

Órgãos de informação sobrevivem desta prática de reprodução sem a permissão do autor. Empresários abrem sites de notícias alimentados por releases e cópias de matérias de outros meios. Jornais fecham páginas com publicações de textos de outros jornalistas, que não ganham salário ou participação nos lucros provenientes da venda de suas matérias. Há casos onde os textos não são reproduzidos na íntegra, mas partes dele, parágrafos, pode acontecer de ser mudado apenas o lead ou mesmo uma simples adequação ao manual de redação de cada órgão, o que não torna menos evidente a prática do plágio sem precedentes. O autor tem direito sobre sua obra, além dele apenas o veículo para o qual trabalha, o que teoricamente impediria a reprodução, mas não é o que ocorre na prática.

O crime de plágio é penalizado com detenção que pode ir de três meses a um ano ou multa por apropriação indevida de texto, além de tornar ainda mais frágil a credibilidade dos jornalistas que cultivam este mal hábito. O plágio não é “privilégio” apenas de jornalistas, principalmente estudantes praticam este crime ainda na academia, na confecção de trabalhos, o que incentiva o uso contínuo na vida profissional. Porém o plágio cometido por jornalistas torna-se ainda mais grave porque são profissionais preparados para produzir textos próprios.

A penalização para o crime de plágio mostra-se extremamente necessária, para isso a fiscalização e atuação dos conselhos de jornalistas deve ser mais presente entre os profissionais. Muitos não reclamam por terem textos copiados por outros veículos, isso fomenta a prática e demonstra falta de interesse dos profissionais da notícia de verem validados os seus direitos. A falta de conhecimento acerca da legislação é outro problema a ser combatido neste sentido, afinal aquele que informa é o que mais deve colher informações, principalmente quando se trata de direitos próprios. A academia, comprovadamente o berço do hábito ctrl+c ctrl+v, é onde a penalização deve ser mais rígida. Aprendendo certo erros serão menos freqüentes. A ética deve prevalecer sobre “espertinhos e preguiçosos” que sujam o nome da profissão. Jornalista não pode ser criminoso.